sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A prevenção da violência doméstica




Há mulheres que vivem 20 e 30 anos sob o jugo de uma relação violenta. São mulheres adultas, e por isso pergunta-se porquê.
Há homens que vivem no mesmo período de tempo no papel de agressores. Saem de casa para ir trabalhar, convivem com amigos/as, vizinhos/as, colegas e ninguém faz ideia do que se passa “lá dentro”, quando voltam ao fim do dia para casa.
Face a esta realidade, podemos reflectir sobre várias “estranhezas”.  Por que nos referimos a mulheres no papel de vítimas e homens no papel de agressores? O que é que paralisa uma pessoa durante tanto tempo numa permanência diária de sofrimento? Seremos nós, os amigos/os colegas/ os vizinhos/ os cegos e cegas para uma realidade tão gritante que acontece mesmo ali ao lado, muitas vezes na nossa própria família?
No dia 25 de Novembro assinala-se o “Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres”. Os números não deixam dúvidas, em Portugal desde 2004 até ao final de Outubro deste ano, morreram 216 mulheres, vítimas de homicídio conjugal e em média, cerca de 90% das denúncias ou pedidos de ajuda para situações de violência doméstica têm a mulher como vítima. Ao nível mundial, e alargando o âmbito da violência contra as mulheres basta pensarmos que, por ano, 4 milhões de mulheres de todas as idades são compradas como “mercadoria” para prostituição, escravatura e casamentos forçados e que 2 terços das crianças que actualmente nunca foram à escola são raparigas (…) As crianças e jovens que são vitimas de violência doméstica pela agressão física, verbal, psicológica, económica ou sexual, ao crescerem, transformam-se, em muitos casos, em adultos nos agressores. É urgente quebrar o ciclo e franquear um futuro de menos constrangimento quando se trata de nos auto-determinarmos, sejamos mulheres ou homens.

Excerto de um artigo de Joana Peres
SEIES/Projecto VOA


Fonte: Jornal Cultural e de Debate, O Sul

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

“ Relação entre a arte e a violência, a arte como meio de divulgação, de denuncia, de ajuda à vítima”- Ínicio de pintura das telas

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Aqui estão as imagens da nossa primeira iniciativa que irá dar asas ao nosso projecto. Começámos por dividir o trabalho por duas telas que abrangem planos diferentes: uma abraça o caminho da violência em si, "crua"  (se é que se pode dizer), iremos assim retratá-la com cores chocantes e vibrantes onde irão surgir rostos de pessoas, em primeiro plano. Enquanto que a outra tela irá seguir e desenvolver o caminho mais pacífico desta temática, através duma paisagem tranquilizante, de tons mais suavizados, aludindo para a esperança de um novo horizonte, de uma nova vida.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Não Se Cale 1º Actividade: Pintura das telas para a sala de interrogatório das vítimas.


“ Relação entre a arte e a violência, a arte como meio de divulgação, de denuncia, de ajuda á vítima”

Pintura de Yta

    No passado dia 30 /11/2010 , terça-feira, iniciámos uma das nossas actividades, no âmbito do nosso projecto, A Violência . A actividade realizou-se no nosso espaço escolar , Escola Secundária de Bocage,ao todo iremos pintar cerca de  4 a 6 telas.

 Na realização da actividade iremos ter em conta os seguintes objectivos :  
  • Colaborar/Intervir num espaço público.
  • Chocar e sensibilizar o público alvo através de imagens
  • Relacionar a Arte e a Violência.
Brevemente iremos colocar no nosso blogue , o modo de execução desta actividade e imagens do nosso trabalho.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Justin Bieber em anúncio contra o bullying

Cantor diz que “não há nada de cool” em atacar vítimas inocentes
O cantor Justin Bieber lançou um anúncio televisivo de prevenção contra o bullying, onde afirma que “não há nada de cool” em atacar vítimas inocentes.
Janet Mayer/ PR Photos  


              
 O cantor de “Baby” já tinha desabafado sobre as suas experiências com bullying. Em entrevista a Ellen Degeneres já este mês, Bieber revelou: “Toda a gente passa pelo bullying, mesmo eu. Na minha página de Youtube há muita gente que me ataca”.
No clip que gravou Justin Bieber diz: “Olá pessoal, sou o Justin Bieber. Só queria dizer-vos que não há nada de cool em ser um agressor e que se tens vindo a ser vítima de bullying diz a alguém que conheças e vai melhorar”. Bieber encoraja ainda aqueles que sabem de casos de bullying a agir: “Se assistes a casos de bullying intevém e ajuda”.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

APAV lança 2ª edição do Manual ALCIPE

No dia 25 de Novembro a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) assinala o Dia Internacional Contra a Violência Exercida Contra as Mulheres, apresentando a segunda edição, revista e aumentada, do Manual ALCIPE (1.ª Edição, 1998).

Na última década, Portugal desenvolveu a sua intervenção na violência doméstica. Distante está o tempo em que esta simples designação suscitava na sociedade portuguesa alguma estranheza. Hoje quase todas as pessoas sabem do que se trata. Porém, tal como nesse tempo, o problema continua actual e aos profissionais que, nas instituições e serviços, atendem as vítimas sentem necessidade de orientação quanto aos seus procedimentos.

Para esses profissionais foi revista e actualizado o Manual ALCIPE, com o apoio do Governo dos Açores (Direcção Regional de Igualdade de Oportunidades – Secretaria Regional do Trabalho e Solidariedade Social).

Abordando várias formas de vitimação e vários tipos de vítimas, o Manual ALCIPE está, no entanto, especialmente focado nas mulheres vítimas, porque as mulheres continuam a representar uma faixa considerável, ou mesmo maioritária, entre as vítimas de violência doméstica.

O Manual ALCIPE é um desafio a todos os profissionais: desenvolver ainda mais a intervenção junto das vítimas de violência doméstica em Portugal, colhendo os melhores frutos, agora e na próxima década.

Este manual teve a sua apresentação formal no dia 25 de Novembro, no edifício da Secretaria Regional do Trabalho e Solidariedade Social, em Ponta Delgada.


Para melhor conhecer este manual consulte-o online , através do site :

domingo, 21 de novembro de 2010

Nós cantamos por uma causa!




         

A Modalfa e Operação Triunfo unem-se uma vez mais para dar voz a uma causa:
O projecto crescer seguro, criado para dar mais força às vidas que começam na Ajuda de Berço e às vidas que recomeçam na APAV.
Compre o seu cachecol e apoie este projecto.
Ao comprar um cachecol por 5€, está a ajudar com 2€ este projecto!

Para mais informações consulte o site:  www.modalfa.pt

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Violência no Namoro

lOVE SOMETIMES HURT 



 O que é?

Existe violência quando, numa relação amorosa, um exerce poder e controlo sobre o outro, com o objectivo de obter o que deseja.

A violência nas relações amorosas surge quando:

os rapazes pensam que:
- têm o direito de decidir determinadas coisas pela namorada
- o respeito impõe-se
- ser masculino é ser agressivo e usar a força

as raparigas acreditam que:
- as crises de ciúme e o sentimento de posse do namorado significam que ele a ama
- são responsáveis pelos problemas da relação
- não podem recusar ter relações sexuais quando ele deseja

A violência não conhece fronteiras de estratos sociais, faixas etárias, religiões, etnias, etc, e ocorre em todos os casais (hetero e homossexuais).



Normalmente a violência não é uma constante na relação, acontece ocasionalmente, e após o episódio de violência existe a chamada fase de “lua-de-mel”. Nesta fase o agressor procura desculpabilizar-se e desresponsabilizar-se, pedindo desculpa, oferecendo presentes e prometendo que a violência não voltará a acontecer.


As razões pelas quais os jovens mantêm uma relação de namoro violenta são várias, entre as quais:

1. Gostar realmente do namorado, querer que a violência acabe e não o namoro, e acreditar que poderá mudá-lo.

2. A pressão do grupo:

- Aquilo que as nossas amigas e amigos pensam sobre nós tem muita importância e gostamos de sentir que somos aceites.
- Os namorados normalmente partilham o mesmo grupo de amigas e amigos, o que é que o grupo vai fazer se terminar o namoro? Vai escolher ficar do lado dela ou dele? E se não acreditarem nela, ao saberem os motivos que a levaram a terminar a relação? E se escolherem ficar do lado dele? Os rapazes que são violentos em privado, podem aparentar serem calmos e carinhosos publicamente.

3. A vergonha (por exemplo: de contar à família e amigas/os o que se está a passar)

4. O medo (por exemplo: das represálias, perseguições, ameaças)


É preciso muita coragem para terminar uma relação que não é violenta, torna-se ainda mais difícil quando se trata de uma relação violenta e abusiva.



 

O que posso fazer se uma amiga estiver envolvida numa relação de namoro violenta?

Se queres apoiar a tua amiga, é muito importante que ela perceba que está a viver uma relação amorosa violenta. Podes dizer-lhe que:

- a violência é um crime punível por lei
- ela tem direito a viver sem violência e a ser respeitada pelo namorado
- procure alguém com quem falar sobre o assunto e que a possa auxiliar e informar (familiar, professor/a, psicólogo/a da escola, associações.

Se pensas que a tua amiga se encontra numa situação de perigo iminente e que não consegue falar com ninguém, diz-lhe que vais procurar apoio de alguém de confiança.

O fim da relação não significa o fim da violência. Por vezes, o ex-namorado não aceita o fim da relação, continuando a perseguir e a controlar todos os passos que a ex-namorada dá.


Daí que seja importante ter em conta algumas medidas de segurança:

- Mudar o número de telemóvel
- Mudar de e-mail
- Mudar a fechadura do cacifo da escola
- Procurar caminhos alternativos para os locais que habitualmente frequentas
- Procurar andar acompanhada
- Falar da situação com pessoas de confiança que possam apoiar em situações de emergência
- Manter um diário sobre as situações de violência que ocorreram
- Gravar no telemóvel os contactos necessários em caso de emergência (112, polícia local, pessoa de confiança)






 
     

Quais as consequências de uma relação violenta?

A violência no namoro tem consequências graves em termos de saúde física e mental para a jovem, tais como:

- Perda de apetite e emagrecimento excessivo
- Dores de cabeça
- Nódoas negras
- Queimaduras (ácido, pontas de cigarro)
- Nervosismo
- Tristeza
- Ansiedade
- Sentimentos de culpa
- Baixa auto-estima
- Confusão
- Depressão
- Isolamento
- Gravidez indesejada
- Doenças sexualmente transmissíveis
- Baixa dos rendimentos escolares ou abandono escolar
- Suicídio

Enquadramento Legal

A violência entre namorados é um crime punível pela lei (Código Penal, Artigo 143º
Ofensa à integridade física simples

1 - Quem ofender o corpo ou a saúde de outra pessoa é punido com pena de prisão até 3 anos ou com pena de multa.
2 - O procedimento criminal depende de queixa, salvo quando a ofensa seja cometida contra agentes das forças e serviços de segurança, no exercício das suas funções ou por causa delas.
3 - O tribunal pode dispensar de pena quando:
a) Tiver havido lesões recíprocas e se não tiver provado qualquer dos contendores agrediu primeiro; ou
b) O agente tiver unicamente exercido retorsão sobre o agressor.
(redacção da L 100/2001 de 25/08)
Artigo 144º
Ofensa à integridade física grave
Quem ofender o corpo ou a saúde de outra pessoa de forma a:
a) Privá-lo de importante órgão ou membro, ou a desfigurá-lo grave e permanentemente;
b) Tirar-lhe ou afectar-lhe, de maneira grave, a capacidade de trabalho, as capacidades intelectuais ou de procriação, ou a possibilidade de utilizar o corpo, os sentidos ou a linguagem;
c) Provocar-lhe doença particularmente dolorosa ou permanente, ou anomalia psíquica grave ou incurável; ou
d) Provocar-lhe perigo para a vida;

é punido com pena de prisão de 2 a 10 anos.
Podes apresentar queixa em qualquer posto da PSP ou GNR.


Mitos e realidades

Mito:
A violência no namoro não é uma situação comum nem séria.
Realidade: A violência não é apenas um problema de adultos, também ocorre nas relações amorosas entre adolescentes.

Mito: As adolescentes gostam dessas relações ou não continuariam com o namoro.
Realidade: As adolescentes mantém as relações de namoro por várias e complexas razões, nunca por gostarem de ser abusadas. Ninguém se mantém numa relação de abuso porque gosta, e sair duma relação violenta pode ser um processo muito difícil.

Mito: Um rapaz grita ou bate porque gosta da namorada.
Realidade: Os rapazes que agem dessa forma estão a usar a violência para controlar a namorada. Gostar de alguém quer dizer respeitar a pessoa não a agredindo.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Estatisticas de casos reportados pela PSP

Casos registados de violência entre o período de 2003 e 2007:
Vitimas

Casos de violência doméstica entre o período de 2003 e 2007:

Grafico Violencia
 
                                                                                          fonte:www.psp.pt